Ninguém

Já estava meio irritado com o ritmo lento do ônibus. Um puta trânsito à frente. O motorista, um senhor de uns setenta e tantos anos, já estava quase dormindo em cima do volante. Paramos no ponto e um cara estranho entrou. Deu uma nota de cinquenta pro cobrador, que disse que não tinha troco, coisa que eu sabia ser mentira, porque vi ele guardando várias notas de dez reais num bolsinho escondido. O cara pegou a nota de cinquenta de volta, procurou na mala de couro marrom e achou uma nota de cinco. Agora sim. Fiquei olhando pro cara, que se sentou ao lado de uma senhora tão enrugada que parecia um cotovelo de velho. No fone de ouvido dele rolava uma música antiga do Metallica. Pelo menos parecia Metallica. Aos poucos o trânsito foi diminuindo. Quando estávamos perto do meu ponto, me levantei, apertei o botão do sinal e esperava o ônibus parar. Continuava observando aquele cara estranho, que já estava sentado no lado da janela, já que a velhinha já havia descido, coisa de uns três pontos antes. O cara parecia estar meio atordoado com alguma coisa. Pensei em continuar dentro do ônibus pra tentar descobrir o que era, mas como já estava atrasado para jantar com minha esposa e a mãe dela, desci. O cara continuou sentado até o ponto final. Quando o ônibus parou, ele se levantou e, sem nem olhar pros lados, foi embora como se estivesse com muita pressa. Ele subiu a escada rolante e saiu do terminal sem diminuir o passo uma só vez. Aquilo era muito estranho, até mesmo para alguém que passou quase uma hora dentro do ônibus. O cara caminhou mais ou menos uns vinte minutos. Tá bom, vinte minutos acho que é exagero. Uns quinze minutos. Nesse meio tempo eu já tinha me arrumado e já tinha chegado ao restaurante. Minha sogra, que não é aquele tipo de sogra que enche o saco do genro, por incrível que pareça, fez uma brincadeira dizendo que já estava cogitando pedir a minha sobremesa, já que eu não chegaria a tempo do prato principal. Mostrei um sorriso amarelo pra ela perceber que eu não achei a menor graça naquele comentário. Quando nos sentamos, o garçom veio nos atender quase que imediatamente, algo que me surpreendeu, afinal, o restaurante estava bastante cheio e, ao dar uma olhada rápida pelo ambiente, não me pareceu que eles tinham tantos funcionários assim. Quando os nossos pedidos chegaram, fiquei impressionado com o cheiro horrível que vinha do prato da minha esposa. Pensei até em falar alguma coisa pra ela, mas, como ela parecia estar muito satisfeita com aquele cheiro, imaginei que a comida que ela pediu deveria ter mesmo aquele cheiro e eu passaria por idiota se comentasse alguma coisa. De repente percebi que a mãe da minha esposa estava meio desatenta à nossa conversa, que, pra falar a verdade, estava, de fato, muito chata. Perguntei qual era o problema, e ela, com uma cara meio estúpida, disse que não era nada e voltou a prestar atenção naquele papo furado da minha esposa. Depois que saímos do restaurante, notei que aquele mesmo cara estranho que eu vi no ônibus estava encostado num Fiat Uno verde metálico horrível, bem ao lado do Corsa amarelo da minha sogra. Achei aquilo bizarro, mas preferi não falar nada. Minha esposa deu tchau pra mãe e entrou no carro. Eu dei um abraço nela e falei que da próxima vez tentaria chegar no horário marcado. Fomos embora. A mãe da minha esposa se dirigiu até o Corsa, mas não entrou. Ela acendeu um cigarro, jogou a bolsa dentro do Corsa e foi conversar com o cara estranho do ônibus. Ela chegou toda sedutora, mas, aparentemente, o cara não suportava fumaça de cigarro, e pediu pra ela apagar aquele Derby antes que chegasse mais perto. Ela deu uma última tragada e o jogou no chão (o cigarro, não o cara). Foi só ela largar o cigarro que o cara pegou a minha sogra, que, admito, até que é uma coroa bem interessante, a encostou no Uno e começou a colocar a mão por baixo daquele vestido verde abacate extremamente ultrapassado que ela adorava usar. Aquilo rolou por mais ou menos uns dez minutos, o que me pareceu até bastante ação para uma mulher da idade da minha sogra. Depois, cada um entrou em seu carro e, como se fossem desconhecidos, seguiram seus rumos. O cara do ônibus morava um pouco longe do restaurante, e, estranhamente, acendeu um Derby dentro do carro para relaxar. Quando chegou na porta de casa, o cara, que já estava no seu quarto ou quinto cigarro, agora não me lembro direito, sentou-se no degrauzinho sujo ao lado de um saco de lixo como quem esperava por algo. Ele ficou lá por mais ou menos uns sete minutos. Do nada, se levantou, entrou em casa e foi dormir. No dia seguinte, eu, já dentro do ônibus a caminho da empresa, vi aquele cara estranho caminhando daquele jeito estranho dele ouvindo Metallica no fone de ouvido sem olhar pra cara de ninguém. Imediatamente dei sinal pra descer do ônibus. Eu sei que abordar aquele cara sem mais nem menos não seria a coisa mais adequada a fazer, mas, mesmo assim, eu precisava saber quem ele era. Desci do ônibus e comecei a seguir o cara. Ele andava rápido, mas, como não percebeu que eu estava na sua cola, não tentava me despistar. Finalmente, quando o alcancei, coloquei a mão direita no ombro esquerdo dele. Ele parou, se virou e me perguntou o que eu queria. Como eu tive que andar bem rápido para alcançá-lo, demorei um pouco pra conseguir falar. Ele já estava quase indo embora quando, enfim, consegui perguntar: ‘Quem é você?’ ‘Ninguém’ – e continuou andando sem olhar pros lados. ‘Ninguém!?!’, me perguntei. Que tipo de resposta era aquela? Ninguém é simplesmente ninguém. Havia, de fato, algo de muito estranho com aquele cara. Tive que esperar outro ônibus. Fiquei por volta de uns 5 minutos ali parado no ponto enquanto tentava digerir aquela resposta que não respondia nada. Pra variar, cheguei atrasado no trabalho e tive que ir até a sala do chefe pra conversarmos sobre isso. Enquanto eu escutava desaforos do patrão, o cara, depois de andar por mais ou menos uns dois quilômetros, o que provava que, apesar de muito estranho, estava em boa forma física, parou numa padaria para comprar cigarros. Dessa vez, diferentemente da noite em que fez praticamente de tudo com a minha sogra, comprou um maço de Dallas. Normalmente a pessoa que acabou de comprar um maço de cigarros já sai da loja acendendo um, mas não foi esse o caso. Ele continuou aquela peregrinação até chegar perto de sua casa, que ficava um pouco longe do centro da cidade. Ali, finalmente, ele se encostou numa árvore e acendeu um cigarro. Já era quase hora do meu almoço e, confesso, depois de ouvir algumas verdades do meu chefe, mal podia esperar para tomar um gole daquele conhaque barato que o Bigode vendia, sempre tentando me convencer de que era um conhaque caríssimo vindo de algum país da parte mais desconhecida da Europa. Quando deu meio dia, parti, sem nem convidar um ou outro colega de trabalho, para o bar. Pedi logo uma dose de conhaque e dois risoles ‘com pouco óleo’. O Bigode, que parecia estar de bom humor, ainda me deu um torresmo de graça. Acho que ele achava estranho um cara engravatado e, aparentemente, bem resolvido na vida frequentar seu bar, que mais parecia um banheiro de estádio de futebol. Eu, sinceramente, não ligava pra isso. Me sentei do lado de fora do bar, afinal, o cheiro da parte de dentro estava me deixando um tanto enjoado, e, a cada golinho que dava naquele conhaque barato, refletia sobre aquela maldita resposta. ‘Ninguém’. Fiquei com aquilo na cabeça até o momento em que saí do trabalho. Peguei o ônibus, que estava mais lotado que o normal para aquele horário, e, de cabeça baixa, tentava me lembrar da cara do cara quando me deu a resposta. Talvez uma leitura mais precisa de suas expressões faciais me desse alguma luz sobre o caso. Não deu. Como na noite anterior, o cara estranho embarcou no ônibus. Fiquei tão nervoso ao ver aquele cara de novo que até derrubei meus óculos. Eles estavam na minha mão porque havia alguma coisa na lente do lado esquerdo e eu tentava, sem sucesso, tirar a sujeira. Uma senhora de uns sessenta e tantos anos pegou os óculos do chão pra mim, mas, de tão atordoado, nem a agradeci. O cara olhou pra mim, mas, num movimento rápido, voltou a olhar para o nada, feito um zumbi. Ele ouvia em seu fone de ouvido a mesma música do Metallica. Comecei a achar que só tinha aquela música no mp3 dele. Eu não podia perder aquela oportunidade. Dessa vez, não desci no ponto que normalmente desço. Esperei para desembarcar no mesmo ponto que o cara. Quando chegamos no ponto final, eu fingi que estava dormindo para poder descer depois dele. Aparentemente, ele nem me notou ali. O segui por um bom tempo. Como aconteceu de manhã, tive que me esforçar muito para acompanhá-lo, já que o cara andava freneticamente, o que era impressionante para um fumante, e eu, sedentário há muitos anos, me cansava facilmente. Estava com os olhos tão fixados naquele cara estranho que nem prestei atenção para onde estávamos indo, o que poderia ser muito perigoso, até porque seria extremamente desagradável me deparar com uma parte da cidade completamente desconhecido, o que me deixaria em maus lençóis, já que meu celular estava descarregado e eu não tinha nenhum cartão telefônico para entrar em contato com alguém, caso a situação ficasse mais complicada. Dei uma rápida olhada ao redor, claro, sem perder de vista o cara. Reconheci uma loja, duas, um prédio, e então percebi que, felizmente, estava num bairro conhecido. Porém, depois de refletir um pouco, coisa que tenho feito cada vez menos graças ao estresse do trabalho, analisei que aquele bairro era conhecido até demais, o que não é normal, tendo em vista que deixando de lado a vizinhança onde moro, a região onde trabalho e uma ou outra coisa que vejo na televisão, não conheço quase nada na cidade, algo que, reconheço, não é tão bom assim, afinal, se um dia eu precisasse me deslocar para um bairro mais afastado, ficaria absolutamente perdido. Aos poucos, resgatei na memória o porquê daquela sensação familiar sobre aquelas ruas; estávamos próximos à casa da minha sogra. Achei aquilo um pouco estranho no começo, mas, lembrando da noite passada, concluí que uma visita daquele cara a ela poderia ser algo até que normal, já que os dois obviamente se conheciam. Ele sentou na calçada, o que, pessoalmente, não gosto de fazer por ter medo de sujar a calça, acendeu um Dallas e ficou balançando a cabeça no ritmo da música que tocava em seu fone de ouvido. Eu me escondi atrás de um Fusca azul calcinha meio enferrujado. Já era bem tarde e comecei a imaginar o que falaria para minha esposa, porque havia prometido levá-la ao cinema e, evidentemente, isso não seria possível. Fiquei ali uns dez minutos. O cara já tinha fumado pelo menos dois cigarros, não deu pra ver direito. Finalmente ele se levantou e foi em direção à casa da mãe da minha esposa. Deu dois toques na campainha. Me perguntei o porquê dos dois toques, já que apenas um, em teoria, já seria o suficiente. Talvez fosse um código secreto entre eles, mas, considerando que aquele cara tinha hábitos muito peculiares, tocar a campainha duas vezes talvez fosse apenas mais uma de suas esquisitices. Demorou um pouco, mas minha sogra apareceu no portão. Ela estava coberta apenas por uma toalha, o que explicava a demora para atender os dois toques da campainha. O cara foi convidado a entrar. Entrou. Já que estava dando uma de detetive, achei adequado me infiltrar ainda mais no personagem e pulei o muro da casa da minha sogra, que, felizmente, não era muito alto, caso contrário, teria que parar minha perseguição. Dei uma boa olhada pela janela e percebi que o cara estava sentado no sofá esperando por algo. Minha sogra apareceu de repente com um álbum de fotos. Fiquei completamente intrigado, já que, apesar de todas as coisas que pude observar sobre aquele cara, posso ter certeza que nem a pessoa mais estranha da face da Terra pode gostar de olhar álbuns de fotos antigos, ainda mais de uma pessoa como a mãe da minha esposa, que nunca fez nada de muito interessante a não ser uma viagem para a Alemanha. Ela abriu o álbum e mostrou uma foto específica. Meio de relance tive a impressão de ser uma foto do meu casamento. Ainda bem, podemos dizer assim, que os dois saíram da sala e foram pro quarto. Eu pulei a janela, que não estava trancada, aliás, essa janela nunca tranca, me lembro bem, já que fui eu que tive que colocá-la. Depois de entrar na casa, confirmei que a famigerada foto era do meu casamento. Inclusive, era uma das fotos em que ficava clara a beleza da minha esposa e, no que diz respeito a mim, a falta dela. Fiquei muito confuso com aquilo. Por que será que minha sogra mostrou uma foto do meu casamento para um cara tão estranho quanto aquele? Agora eu queria ainda mais respostas, mas decidi ir embora, afinal, entrar no quarto naquele momento poderia trazer cenas completamente traumatizantes, já que, imagino, deve ser complicado esquecer a imagem da sua sogra transando com alguém, independentemente de quem seja. Cheguei em casa e inventei uma desculpa para minha mulher. Não me lembro direito dos detalhes da conversa, mas fui tão convincente, que, acredito, ela nem desconfie do que realmente aconteceu. Na manhã seguinte liguei para o trabalho e disse que estava doente, o que, se formos analisar friamente, não era mentira, porque acordei com o nariz escorrendo e com um pouco de dor no corpo, essa talvez por ter caminhado demais na noite anterior. Não fui trabalhar para tentar descobrir de uma vez por todas quem era aquele cara e o que minha sogra e ele queriam. Logo cedo, depois que minha esposa saiu para ir à academia, algo que sempre me intrigou, já que fazia um bom tempo que ela frequentava a academia e não demonstrava sequer algum resultado, saí e fui direto para a casa da mãe da minha esposa. O caminho era um pouco longo, o que acabou sendo bom pra mim, porque pude pensar quais palavras usaria para confrontá-la. Quando cheguei, notei que o Fiat Uno verde metálico, mesmo carro do estacionamento do restaurante, estava parado em frente à casa dela, o que poderia ser um problema, porque ali a guia era rebaixada, e o cara poderia ser multado por isso. Naquele momento, não sei bem porque, me perguntei qual era o motivo do cara ter carro, já que, aparentemente, ele gostava tanto de andar e, como já é de conhecimento geral, era usuário do transporte público. Decidi que, aproveitando que ele estava por lá, o questionaria sobre isso também, assim que fosse adequado fazê-lo. Fui até o portão e reparei que ele estava aberto. Fui entrando sem pedir permissão, afinal, depois de pular o portão e entrar pela janela no dia anterior, imaginei que isso não seria tão grave. A sala de estar estava vazia, mas consegui ouvir alguns barulhos vindos do quarto. Desconfiei que minha sogra e o cara estivessem fazendo sexo novamente, o que de certo forma me irritou, porque, pra ser sincero, não faço sexo em dois dias seguidos há muito tempo. Cogitei ir embora de novo, mas, apesar do trauma que preferi evitar na ocasião passada, não poderia deixar passar mais essa chance de tirar minhas dúvidas, afinal, quem poderia me garantir que no próximo dia ou no seguinte eles não estivessem no quarto novamente? Abri a porta do quarto sem bater, até porque, se eu batesse na porta, acabaria com toda aquela aura de suspense que se criava na casa naquele momento, e que, desde quando entrei pela janela no outro dia, invadia meus pensamentos. Quando olhei pra cama, fiquei completamente paralisado ao ver minha sogra, o cara estranho e minha esposa, sim, minha esposa, juntos. Aquilo mexeu muito com a minha cabeça, mas tirou aquela dúvida que eu tinha sobre a falta de resultados da malhação da minha esposa, se bem que, pensando friamente, fazer ‘ménages à trois’ diariamente deve exigir o mesmo, ou até mais, que ir à academia. Minha chegada surpreendeu minha esposa e a mãe dela, porém, estranhamente, o cara nem ligou e, se não fosse o susto das duas, talvez até continuasse fazendo o que estava fazendo. Apesar de a situação ser completamente desagradável, preferi dar uma chance para que eles se explicassem, o que pareceu muito maduro na minha opinião, ainda mais para uma pessoa que acabara de descobrir que era corno. Passados alguns embaraçosos minutos, os três saíram do quarto e me encontraram na sala. As duas já estavam vestidas, mas o cara, que, apesar de ser o outro nessa relação, já começava a me agradar pela cara de pau, apareceu apenas de cueca. A primeira a falar foi minha sogra, o que me pareceu normal, exatamente por ela ser a pessoa mais experiente, pelo menos em teoria, entre os três. Ela disse que desde que seu marido morreu, isso há uns quatro anos, procurava por um homem que pudesse satisfazê-la sexualmente. Disse também que, no entanto, não queria substituí-lo e por isso tinha essa relação com aquele cara estranho, que não gostava de conversar e que, mais tarde, descobri que se chamava Roberto, o que é muito curioso, porque, ironicamente, é o mesmo nome do meu pai, que também já é falecido. Confesso que achei aquela versão bastante plausível, mas, logo me veio na cabeça a possibilidade da minha mãe estar fazendo o mesmo, apesar de ela ser uma senhora bastante conservadora. Mesmo acreditando naquela versão, eu ainda precisava saber o que a minha esposa tinha a ver com tudo aquilo, já que, apesar de eu não ser uma pessoa inacreditavelmente bem dotada, me considero acima da média e bastante esforçado no que diz respeito às atividades do quarto. A minha esposa então disse que, desde os vinte anos, começou a se relacionar com a mãe, que, na verdade, não é sua mãe biológica, informação que me deixou um pouco mais aliviado, afinal não preciso explicitar aqui as complicações de um relacionamento sexual entre mãe e filha. Ela me disse que, mesmo depois do nosso casamento, nunca conseguiu deixar de lado a relação com sua mãe adotiva/amante, mas me amava muito e achou que, se me contasse o que estava acontecendo, eu a deixaria. Imagino que sua avaliação estava correta, tendo em vista que para aceitar uma situação como essa é preciso ser, realmente, muito compreensivo. O cara, que ficou ali ouvindo tudo sem mover um músculo do rosto, de repente, resolveu se manifestar. Mesmo não o conhecendo, achei que ele merecia se expressar sobre o assunto, mesmo porque ele era peça central na trama. Ele disse que só participou de tudo isso, pra início de conversa, para conhecer melhor a minha esposa, pois ele havia a visto uma vez, de longe, passeando com a mãe, que, no caso, agora também é amante, e, imediatamente, se apaixonou. Só foi saber que ela era casada, comigo, no caso, depois, e não cortou relações com minha sogra – aliás, nem sei se a devo chamar de sogra depois de tudo que descobri – porque acabou curtindo a situação, principalmente a falta de compromisso. Quando ficou sabendo da relação entre mãe e filha, ficou ainda mais entusiasmado, ‘como qualquer um ficaria’, nas palavras dele. Depois ele me pediu desculpas e prometeu nunca mais interferir em minha vida, declaração que me fez sentir ainda mais respeito por ele, o que foi um pouco estranho, porque acabara de vê-lo fazendo sexo com minha esposa e minha sogra. Ele me cumprimentou, pegou suas roupas no quarto e foi embora. Minha esposa, a mãe dela e eu ficamos sem palavras. Depois de alguns segundos, talvez até um minuto e pouco, minha sogra disse que agora teria que procurar outra pessoa para ocupar o lugar do cara. Minha esposa, percebendo que a situação não poderia ficar pior, olhou pra mim e perguntou se eu não toparia ser essa última peça do quebra-cabeça. Confesso que naquele momento muitas coisas passaram pela minha cabeça. Fiquei um pouco irritado de início, mas, pensando bem, a oportunidade de participar de um ménage à trois depois de receber aquele bombardeio de informações não era lá uma má ideia. Além disso, como já havia dito antes, a mãe dela é uma coroa bem interessante. Olhei para minha sogra e percebi que ela também aprovava a ideia. Antes mesmo que eu pudesse responder, minha esposa me agarrou e me levou pro quarto. A mãe dela, também entrou no quarto e fechou a porta. O resto é história.
Por Álvaro Burns
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Postei esse texto no blog SociedadeJM e resolvi lançar por aqui também.
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Campanha do Guaraná Antárctica

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Fragmentos do Fim do Mundo

Fecho os olhos, respiração profunda…
As soluções e meus pensamento me fogem como diabo foge da cruz…
Me levanto, vou até o bebedorou.
“bem que me falaram que quem trabalha aqui bebe muita água”
Volto pra mesa…
Ao redor o circo em chamas.
Refaço as contas, reabro relatórios… faltaram 3 pessoas!?
- “ESTOU FUDIDO!”
(Acho que falei isso alto demais!)
Alguêm me olha e pergunta se está tudo bem?
Abro um sorriso (falso), falo uma piada (sem graça, mas todos riem).
E digo que está tudo sob controle.
A felicidade é a dádiva dos ignorantes!


 
* “Esse texto é mais um conto de estórias fictícias (ou quase)

 

 

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Não, esse não é um blog de sacanagem!

 Pessoal, que fique uma coisa bem clara! Esse não é um blog gay de sacanagem!! (será!?)

Depois de quase um ano sem nenhuma novidade no blog, percebi por intermédio do leiomentro que nosso numero de acessos foi até bem alto.

Mas após um olhar mais clínico, percebi o motivo de tamanha “popularidade”. Muita gente acaba entrando nesse blog a procura de macho pelado em vestário masculino!

Só ontem tivemos 7 tarados ou taradas (se forem taradas podem vir, fiquem a vontade!) procurando algo para diversão…

 É mole?…
 

Pesquisa de clicks

 


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Prova Oral!

Podem me chamar de louco, mas eu gosto de transporte público.

Ônibus é o tipo de lugar onde nós somos obrigados a ter próximidade(em alguns horários até demais) com pessoas de outras culturas e outras vivências das que estamos acostumados no nosso dia a dia-a-dia.

Há algum tempo peguei um ônibus do centro de São Bernardo (minha terra!) até a minha a casa, de volta da faculdade.

Dois pontos depois entram duas senhoras no maior papo.

Independentemente da sua vontade, se você não estiver com fones de ouvidos novos, e no último volume, sempre acaba ouvindo a conversa alheia.

No meio de uma conversa acalorada, uma das senhoras solta a seguinte frase: ” … o Poblema é que esse menino não tem juízo!”

A outra senhora, acanhada e com dúvida sobre o português utilizado pela amiga pergunta humildemente: ” O certo é poblema ou pobrema?”

Eis que a amiga solta a frase que jamais esquecerei em minha vida…

” Os dois num tão errado, porque o poblema é quando o poblema é meu, já o pobrema é quando o pobrema é seu!”.

E ainda tem gente que diz que a lingua portuguêsa é dificil…

... e o salário, oh!

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Cultura de Bar

Um novo verbo foi introduzido na lingua portuguesa:

Cervejar!

agora vamos a sua conjugação:

Gerúndio: cervejando

Particípio passado: cervejado

Indicativo:

Presente:

eu cervejo

tu cervejas

ele cerveja

nós cervejamos

vós cervejais

eles cervejam

Pretérito Perfeito:

eu cervejei

tu cervejaste

ele cervejou

nós cervejamos

vós cervejastes

eles cervejaram

Pretérito imperfeito:

eu cervejava

tu cervejavas

ele cervejava

nós cervejávamos

vós cervejaveis

eles cervejavam

Por hoje é só, semana que vem coloco as outras conjugações.

Estudem muito, pois é um verbo de fácil aplicação e de uso constante.

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Humor pra bêbado

Em um bar, tudo sempre parece mais engraçado. Já reparou?

Aquelas piadas estilo Ary Toledo, que o seu tio conta em reuniões chatíssimas de família, só encontram risadas como companhia numa mesa de boteco.

Isso pode confundir qualquer aspirante a humorista que guardou aquela piada que os amigos beberrões acharam brilhante pra contar em outro lugar.

Outro dia, estava com os companheiros de copo. Numa daquelas frias tardes que só esquentam com uma cerveja bem gelada. Quem me conhece sabe que piadas infames fazem parte do meu repertório de conversação… Bem, conversa vai, piada vem, acabei lançando uma que teve a aceitação de todos no recinto. Ha poucas sensações tão boas…

No dia seguinte, resolvi soltar essa que fez tanto sucesso em outros ambiente, começando pela minha casa. Mãe, pai e irmã acharam mediana (quando a própria mãe não curte sua piada, é bom desconfiar). Tudo bem, eles não vivem nos mesmo lugares que eu, achei que teria que arrumar um público mais compatível com o life style da piada.

Encontrei alguns amigos e contei. Um ou outro sorriso amarelo evidenciaram aquilo que ninguém que conta uma piada quer: ela não tem graça.

Meu mundo caiu. Fiquei ali, tentando me redimir, falando algumas besteiras (que até renderam boas risadas), mas minha cabeça estava buscando explicações para o fiasco.

A noite foi passando, a mesa foi enchendo e as garrafas, esvaziando. Como eu já estava um tanto alegre, contei de novo a fatídica. Qual não foi minha surpresa quando consegui arrancar as tão queridas gargalhadas dos amigos…

Depois da ressaca, finalmente descobri quem é o meu público alvo: os bêbados…

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Torresmo

Tarde, quase 18h. Aquela vontade imensa de desligar o amarelado computador da empresa e partir para o bar mais próximo. Ele se levantou, deu aquela ajeitada na amassada camisa branca e partiu. Sozinho. Deixou a luz acesa. Sempre deixava, pois a moça da limpeza ainda passaria por lá. No elevador, se lembrou daquela música idiota que gostava tanto quando era criança. Rapidamente a esqueceu de novo. Já no estacionamento, entrou no enferrujado fusca que herdara do avô. Azul calcinha. Pensou em como nunca tinha visto uma calcinha da cor do fusca. Paciência. Foi pro bar. Colocou o manchado blazer em cima do balcão. “Uma cerveja. E um torresmo.” Ele sabia que o torresmo ia contra as recomendações do doutor. Deu um gole na gelada skol que o dono do bar serviu num copo aparentemente sujo. Mordeu o oleoso torresmo. Um pouco do óleo escorreu na camisa. Não ligou. Continuou a mastigar. Começou a tossir. Loucamente. Parecia engasgado. O bêbado sentado, quase desmaiado ao seu lado ria como se tivesse visto algo muito engraçado. O dono do bar pulou o balcão. Deu dois tapas fortíssimos em suas costas. Ele cuspiu um pedaço enorme de torresmo que obstruia sua respiração. Sentou-se. Retomou o ar. Deu mais um gole na skol, que naquele momento já estava morna. Olhou nos olhos do dono do bar. “Obrigado.” Mordeu um pedaço ainda maior do torresmo…

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Dia da Cachaça

Hoje, 21 de maio, é o dia da cachaça.

Por quê? Não sei e, sinceramente, não me interessa. O que vale mesmo é que temos uma desculpa plausível pra encher a cara com os amigos sem que ninguém nos faça sentir qualquer tipo de remorso amanhã de manhã, quando estaremos abraçados à fria porcelana do vaso sanitário.

A arte de tomar uma cachacinha com os amigos no buteco é uma das poucas dominadas por minha pessoa. Afinal, não há segredo: basta chegar no bar, escolher um lugar, aconchegar-se, chamar o garçom e fazer o pedido. A coisa só fica difícil depois que você já tomou algumas, mas hoje em dia sou expert em desviar dos bêbados jogados no chão e consigo me esquivar de jatos de gorfo como poucos…

Existem vários tipos de cachaças por aí, mas em buteco velho, simples e de bebida barata, todas as cachaças têm o mesmo gosto, que apesar de não ser ‘gostinho de quero mais’, sempre nos faz querer mais.

Ajuda se rolar um petisquinho tradicional de buteco, como um torresmo, por exemplo. Aliás, entre nós, pra conseguir mandar um ‘bom’ torresmo de buteco goela abaixo, só com a ajuda da ‘marvada’.

A cachaça também serve pra afogar as mágoas. Pessoas deprimidas sempre vão a um bar próximo para suprimir suas desilusões (amorosas ou não). Há quem diga que tudo isso não passa de ‘intriga da oposição’, mas, até hoje, só vi gente saindo do buteco rindo (mesmo quando está chorando).

Falando a verdade, também não sei se a máxima ‘beber pra esquecer’ é válida, afinal, não me lembro se consegui esquecer as terríveis experiências que possivelmente tenham me levado ao buteco em primeiro lugar…

O que importa é que não importa o motivo que te leva ao bar pra tomar uma(s). Hoje é dia da cachaça, e isso já é desculpa pra ‘bebemorar’.

Feliz dia da cachaça!!!

**texto postado originalmente por mim no blog Sociedade JM

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Truco, então!!!!

Nunca me considerei o maior butequeiro do pedaço.  Pra mim, diversão sempre foi estar com meus seletos amigos numa mesa jogando só conversa fora.

Mas em alguns momentos o “feeling” do bar aflora na gente!

Algumas semanas atrás, o Pedro (amigo e também blogueiro dessa josa!) convidou a galera para uma festa na chácara do Tio Diogo.

Depois de algumas horas de estrada e de vontade de tomar uma gelada, chegamos a festa.

Conversa vai e cerveja vem, o primo do Pedro me aparece reclamando dos caras que estavam jogando truco em uma sala ao lado. Só pela chiadeira já deu pra perceber que as regras do jogo não era o forte da galera.

Algumas Ypiócas Ouro e Terra Brasilis depois, nós resolvemos jogar!

Ao chegar na mesa, a mulecada que lá estava começou a cantar de galo. Estavam a várias rodadas sem perder… Estavam!

A primeira mão era minha.

Nunca soube fazer maço na vida, porém aprendi a embaralhar as cartas tão mal que na maioria das vezes dou a cagada de cair com pelo menos uma manilha. Não foi dessa vez!

A primeira rodada os caras fizeram fácil. Tanto o Pedro, quanto o Minduka não tinham porra alguma nas mãos.

Na segunda, os caras fizeram aquele “migué” e deixaram a gente fazer com um A’s mixuruca. Jogada manjada!

Na terceira rodada eu era o último do meu time jogar e o jogo chegou pra mim. Eu não tinha carta nem pra ganhar do que já estava na mesa.

“TRUCO, ENTÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO… NESSA PORRA!!!”

Meu Tênis, já cheio de barro devido à neblina que caia naquela chácara no meio do nada, foi parar no meio da mesinha de centro da sala.

Na gíria do bar: Os caras correram!

Fomos nos mantendo sempre na frente, mas o ego da mulecada continuava.

Na metade do jogo, apareceu na mesa uma garrafa amarela com um rótulo escrito “Xixi de Virgem“, que o cara ao meu lado fez questão de beber meia garrafa sozinho. Disse: Não passo mal com bebida!

Quando chegou a 9 x 5 pra nós, eles disseram que nos últimos jogos tinha sido assim e que agora eles iriam virar.

“Estávamos assando o lombinho, agora vamos comer!”

Me senti mal com essa frase. Tô gordo, mas assim também ofende!

Dadas ás cartas, nós deixamos a primeira rodada passar por bobeira. Na segunda eles pediram truco… A gente mostrou o casal maior!

Depois disso eu só me lembro de ter capotado bêbado em um sofá 50 centímetros de largura com minha namorada… De a minha cerveja ter sumido misteriosamente… E, quando acordei, vi aquele cara que disse não passar mal com bebida dormindo todo sujo de vômito ao lado de outro cara!

Moral da história… Não temos nenhuma moral! (rs…)

Rato no Truco

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Rumo ao Hexa (???)

Hoje saiu a convocação de Dunga para a Copa do Mundo da África do Sul. Talvez a única surpresa tenha sido Grafite, que só jogou 27 minutos nessa nova ‘Era Dunga’.

Contrariando a opinião pública, Ganso e Ronaldinho Gaúcho só ficaram na lista de suplentes e Neymar nem foi chamado.

Entre nós, não era muito difícil imaginar que ficaria nisso mesmo, mas confesso que achei que o técnico da equipe da CBF levaria Ganso como um dos 23 (talvez até acabe levando, caso precise cortar alguém).

Dunga parece ter colocado em sua lista jogadores que fazem lembrar o time que o levou ao título em 94. Fica mais evidente a comparação no meio de campo, onde só há um meia (Kaká, fazendo o papel de Raí). Infelizmente, não há nessa seleção um gênio como Romário, que resolveu para aquela.

Não sei porque, mas me parece que Dunga tem algo contra o futebol bonito. Deve estar no seu subconsciente, ou coisa parecida.

De fato, sob seu comando, a seleção tem conquistado vitórias e títulos, mas não custa nada buscar um futebol mais envolvente, mais interessante pra quem vê.

Outro dia assisti a partida entre Brasil e a Itália em 1982. Aquele time jogava de forma maravilhosa. Zico, Júnior, Falcão, Sócrates… Em determinado momento me peguei torcendo pela vitória, mesmo sabendo que ela não viria mesmo que o jogo continuasse até este momento.

Essa seleção que vai representar o Brasil na África pode ser campeã. Aliás, é uma das favoritas. Mas duvido que daqui a 28 anos alguém vai escrever em seu blog que sente saudades daquele esquadrão que trazia Elano, Júlio Baptista, Josué, Felipe Melo…

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É na várzea

Trabalhar em rádio é muito legal.

Pra quem não sabe, eu sou repórter em uma rádio comunitária de Mauá (já trabalhei numa comunitária em Ribeirão Pires, mas essa é uma história pra outro dia). Faço parte da equipe de esportes, o que me dá a oportunidade de acompanhar o que acontece na cidade.

O futebol profissional é legal, mas não chega nos pés do futebol de várzea (ou amador, pros mais frescos).

É na várzea que os amigos se reúnem pra jogar com outros amigos. Lá, enquanto a partida rola, a carne é colocada na grelha e a cerveja na geladeira.

É na várzea que a molecada corre atrás da bola, quando é chutada pra fora do campo. E que essa mesma molecada recebe dicas valiosas de posicionamento enquanto tomam um refrigerante e comem amendoim pagos por seus pais e/ou avôs.

Por mais ‘pegados’ que os jogos sejam, depois tudo vira risada.

Confesso que até hoje não vi nenhum perdedor num jogo de várzea. Nem mesmo naquele time que tomou de 6 num sábado de manhã…

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A hora do almoço

Estamos falando muito de bebida, até parece que somos um bando de bêbados (e somos mesmo).

Hoje passei por uma situação no qual é digna de estar registrada aqui.

Estava eu em minha mesa trabalhando, cumprindo minhas metas (meu chefe que o diga), eis que surge a líder de equipe, trabalhamos em equipes para facilitar ou não nosso alcance de meta, e ela anuncia: “quem fizer X vendas até meio dia, dobra o horário de almoço”.

O que é um beneficio extremamente agradável, vendo que nosso almoço é um quinto de hora.  Nessa hora eu estava quase perto do numero necessário para dobrar o almoço, então me empenhei, me esforcei para conseguir o tão sonhado almoço com horário dobrado em plena sexta-feira.

CONSEGUI!!! Faltando exatamente 5 segundos para dar meio dia, terminei a última venda. Mas que alivio, que sensação de bem estar, era quase um orgasmo gastronômico. Meu estomago pulava de emoção, fazia mais de semana que eu não tinha um almoço decente, com garfo, faca, comida fresca, mas que belo presente para uma sexta-feira, me senti o mais fodão de todos, eu e os outros quinze que também conseguiram o beneficio (ok, não fui o mais fodão de todos).

Combinei com algumas garotas de encontrá-las na lanchonete, estava todo sorridente, com o ego nas alturas. Fui até a lanchonete, errei o lugar!! Elas tinha ido para a outra lanchonete, mas isso não foi problema, eu olhei no refeitório, tinha um self-service. Me dei ao luxo de almoçar ali, mesmo que sozinho, estava feliz, aproveitando ao máximo essa luxuria.

Então fui pegar comida, mas quanta comida eles fazem nesses lugares né? São 23 misturas, 29 saladas, 4 tipos de arroz, 15 tipos de feijões, 33 molhos e UMA pimenta, UMA PIMENTA!!!! (desabafo feito)

Fiquei perdido com tanta comida na minha frente, mal sabia o que escolher. O strogonoff parecia muito bom, mas o arroz a grega parecia melhor, aquela batata a sotê estava brilhando nos meus olhos, e os filés de peixe frito estavam cheirando tão bom que até senti o gosto no ar. Mas por motivos óbvios eu não poderia misturar tudo, são temperos diferentes, paladares diferentes, cada um acompanhado de um tipo de bebida diferente, e eu só tinha mais 35 minutos de almoço, já tinha gasto 5 minutos só indo até a lanchonete e decidido comer por lá.

Então resolvi pegar o que estava com vontade, arroz branco e feijão!! E mais algumas misturinhas aqui, outras misturinhas ali…

É impressão minha ou pratos de restaurantes self-service são pequenos demais?! Nunca cabe a quantia que quero pegar!!! Acho que isso é uma conspiração para pegarmos menos comida e gastarmos mais nos refrigerantes com preços astronômicos.

Fui até a balança, olhei um cartaz na parede que dizia “Self-service por apenas R$ 16,50/kilo”, fiz uma careta e pensei “caramba, pagar mais de 15 conto por um prato de comida é tenso heim”. Até então tudo ocorreu bem, não tinha passado nenhuma vergonha, não tinha feito nenhuma merda, meu dia estava tranqüilo.  Quanto olhei, a mocinha que trabalha lá estava anotando o valor do meu prato, e quando peguei na mão, assustei com o valor, olhei no cartaz, olhei na notinha e falei “eita…”, e a mocinha que trabalha lá disse “é… eita…”.

Achei melhor procurar uma mesa e ir comer logo, me senti ligeiramente ofendido com o comentário dela. Então sentei, pedi um refrigerante de preço astronômico, e comecei a comer minha humilde refeição Premium.

Enquanto comia, duas garotas sentaram-se à mesa comigo, até então não há problema, pois eu escolhi uma mesa de quatro lugares, faz parte ter que dividir a mesa quando se almoça em lugares assim. As pessoas dividem com mais facilidade uma mesa para comer do que uma cerveja.

A primeira garota, uma ruiva, de olhos verdes, sem aliança na mão, com 3 piercings, comentou com a segunda garota, uma loira, magra, sem aliança na mão, com roupa social, “o meu prato deu R$ 7,00, e o seu?” e a loira respondeu “o meu deu R$8,00, peguei mais coisa que você”, e a ruiva retrucou “você come bastante heim”.

Olhei para as duas de canto de olho, não falei nada, continuei comendo em silencio, afinal de contas, faltava só 16 minutos para terminar meu horário de almoço. Mas peguei a garrafa de refrigerante para encher novamente meu copo, e a notinha com o valor da comida estava por baixo, e ficou a mostra, sem perceber, coloquei a garrafa em outro lugar e a notinha ficou visível.

Quando dei conta, a loirinha estava olhando com os olhos arregalados para minha notinha, e em seguida olhou para a ruiva, no qual esta tambem olhou para a notinha que ficou a mostra, se fez de assustada e não comentou nada.

Olhei para meu prato, (não) tinha tanta coisa, só arroz, feijão, tomate, vinagrete, brócolis, alface, filé de peixe, enroladinho de frango com bacon, bolinho de queijo e batata frita!

Terminei de comer, meio constrangido com a situação, levantei da mesa, recolhi meu prato e fui para a fila pagar aquela tão visada notinha que todos olhavam com cara de espanto. Então ouvi uma das garotas comentando “você viu isso?” e a outra respondeu “olha só o tamanho dele” (para quem não sabe, tenho mais ou menos 1,94m de altura).

Nessa hora me senti o Sherek tupiniquim, um ogro urbano, um ser diferente, um ser satisfeito, isso sim!!!

Paguei minha conta, peguei uma sobremesa (palito de dente) e sai feliz da vida por ter aproveitado ao maximo esse luxo de ter um almoço decente…

Como é bom ter reconhecimento pelo seu trabalho!

O valor da notinha? R$ 17,20 do prato + R$ 3,20 do refrigerante.

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Injeção na testa?

“De graça, até injeção na testa”

Aposto que você já ouviu essa expressão. Mas duvido que conheça alguém que aceitou levar uma ‘picadela’ na testa só porque não precisaria pagar por ela…

Pra mim, nem tudo que é gratuito é bom. Mas há uma coisa que não se deve recusar de forma alguma se lhe é oferecida (e não é dinheiro): CERVEJA!

Claro, você ficará sujeito a ‘engolir alguns sapos’, mas o elixir da felicidade sempre facilita o trabalho.

Nos tempos de faculdade (e nos dias atuais também) eu não tinha dinheiro pra manter o hábito (nunca vício) de tomar aquela geladinha. Graças aos deuses da cerveja, tive a oportunidade de encontrar pessoas dispostas a me ajudar em tal tarefa. O ‘problema’ era ter que acompanhá-los em atividades antagônicas ao que levo como filosofia de diversão…

Sim, ouvi muito pagode ao vivo no boteco só pra conseguir encher o copo na faixa; fiquei em ambientes ensurdecedores apenas para beber uma Skol direto da garrafa.

Não me arrependo. Aquelas noites de ‘cultura alternativa’ também proporcionaram boas risadas.

Se passaria por isso novamente? Espero que não seja necessário. Mas é como dizem:

“De graça, até injeção na testa”

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Fagmentos do Fim do Mundo

Um homem estava em coma a algum tempo. Sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite. Até que um dia o homem acorda, faz um sinal para a mulher para se aproximar e sussurra-lhe:

- Durante todos estes anos você esteve ao meu lado. Quando me licenciei, você ficou comigo; quando a minha empresa faliu, você ficou lá e me apoiou; quando perdemos a casa, você ficou perto de mim; quando perdemos o carro, também estava comigo. E desde que fiquei com  todos esses problemas de saúde, você nunca me abandonou.
 Sabe de uma coisa?
Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:
- Diga, amor.
- Acho que você me dá azar!

 

* “Todos os textos que levarão esse mesmo nome são contos fictícios (ou quase)

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Ela gosta é de Rock’n Roll

Eu sou um rocker! Um vagalhão, distribuidor de cartas, eu sou um bruta montes!

Ela gosta de Rock’n Roll, fazemos nossos trabalhos sujos de forma barata, sacudindo e agitando tudo nesta porcaria de cidade!

Nós vamos dançar e curtir! Nós somos uma gangue, somos rock’n roll e ela gosta é de rock’n roll! Me chame a qualquer hora, não perca tempo, voce precisa de mais e nós te daremos mais.

Cabelos pretos e lisos, pele de jeans apertado, um cadillac e um sonho de adolescente.

Ao bom e velho estilo Rock’n Roll.

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Campanha: “Conti comigo!”

Como todo bom bêbado apreciador de álcool sem moderação, nós também não temos dinheiro.

Dentre as idas e vindas dessa vida, provamos diversas bebidas inaconselháveis para menores de 89 anos desacompanhado dos pais. Me arrisco a dizer que até gasolina alguns integrantes dessa trupe já tomou. Quando se é jovem e se está chapado a gente faz muita merda mesmo.

Além de bebidas fortes, nunca pode faltar a boa e velha cervejinha!

Depois de muito tempo bebendo, a gente acaba criando gostos, e por mais que a diferença seja mínima, sempre tem aquela pessoa que prefere a cerveja “x”, ou não gosta da marca “y”.

Particularmente não gosto de cervejas com gostos adocicados…

Nos últimos meses, estes que aqui escrevem, por questões financeiras, tem variado um pouco mais o cardápio. E dentre essa variedade descobrimos uma boa cerveja: A Conti!

Infelizmente não acho em qualquer lugar…

Com isso este blog começa uma campanha e pede ajuda de todos os amigos!!!

“CONTI, PATRIOCINA A GENTE!!!!”

Sabe como é… Uma guela lava a outra e as duas trocam idéia!

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“…Beba e não discuta.”

Dê descarga nos seus problemas, queime suas incertezas e aproveite ao máximo a todos os momentos.

Tente tratar todas as pessoas de igual para igual, se não der certo, abuse de ignorância, é um ótimo laxante mental.

Em cada segundo há uma energia única que não tem como ser recuperada. Dormir, ficar entediado, estressado, bravo e afins são situações em que você perde essa energia vital.

Em tudo na vida há um significado, se você não entente, apenas sorria e mande a merda.

Não julgue as pessoas; só depois que elas cometerem atos ridículos.
Sua opinão vale muito, mesmo quando errada, em todo caso, beba e não discuta.

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O que foi que aconteceu??

Memória

Tendo como objetivo guardar as informações para que sejam recuperadas posteriormente, nossa memória é sem dúvidas uma das coisas mais importantes de nossa vida.

Digo sempre que tenho o tipo de memória fotográfica, não sei quem inventou essa característica mais dizem que memória fotográfica é aquela que lembramos nitidamente dos rostos, lugares, detalhes etc… Não pra mim!

Minha memória considerada fotográfica é a pior de todas, nunca sei o que aconteceu, como voltei, como foi a noite de ontem naquele bar, quem deixei em casa, quem ficou, quanto deu, o que falamos, etc… enfim… Isso é horrível, só me lembro de algumas coisas quando vejo as fotos e/ou quando me falam!

Até hoje nada de muito desastroso aconteceu.

E ontem foi dia! Prova, bar, cerveja, outro bar, cerveja, pinga de alambique, tequila, cerveja… já sabe né… fui em algum lugar deixar alguma pessoa e cheguei em casa de madrugada. Hoje o carro estacionado na garagem de ré como de costume, posicionamento perfeito, portão e porta trancados me traziam uma sensação de alívio pela manha, apesar da sede, sono e dor de cabeça tudo estava em seu devido lugar…

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Fragmentos do Fim do Mundo

Ela vestiu um vestido sensual preto.
Se perfumou, se maquiou, arrumou cabelo.
Havia passado o dia programando aquela noite.
Tirou as crianças de casa para ter a noite livre.

Ele entrou em casa já afroxando a gravata.
Rancou a roupa, abriu uma cerveja e entrou no banho.
Havia perdido uma fortuna em um investimento errado.
Seu emprego estava por um fio.

Ela tirou o frango do forno, arrumou a mesa,
Levou o arroz a mesa e abriu uma garrafa de vinho.
A noite deveria ser a mais perfeita de todas.

Ele saiu do banho, colocou uma bermuda frouxa de futebol.
Calçou o chinelo e nem ao menos terminou de se secar.
Terminou o último gole da cerveja e deixou a lata em algum canto que jamais se lembrará onde.

Os dois se olharam…
Não trocaram uma palavra sequer!

Ela viu o fim do casamento!
Ele viu o Flamengo!

* “Todos os textos que levarão esse mesmo nome são contos fictícios (ou quase)

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